Proteção contra saidinhas

06/12/2012 09:14

A instalação de biombos nas agências bancárias, medida apontada pela Polícia Militar como fundamental para reduzir os crimes conhecidos como saidinha, é ignorada por quase 70% das instituições financeiras. É o que mostra levantamento da prefeitura feito em 82 agências. O mapeamento vai nortear fiscalização que começou na sexta-feira e vai exigir o cumprimento da lei 10.200, de junho de 2011, que obriga a instalação de barreiras visuais entre o operador de caixa e os clientes que aguardam na fila.

A lei deveria começar a valer dentro de 90 dias a contar de junho do ano passado. No entanto, ela só começa a sair do papel agora, quando fiscais da Secretaria Municipal Adjunta de Fiscalização da Prefeitura de BH (Smafis) prometem apertar o cerco e fiscalizar as agências. A multa para quem descumprir a legislação é diária, no valor de R$ 53 mil. Na sexta-feira, no primeiro dia de ações da prefeitura, pelo menos duas agências foram multadas. O balanço completo do primeiro dia de fiscalização deve ser divulgado amanhã.

De acordo com a Miriam Terezinha Leite Barretom, secretária-adjunta da Smafis, o intervalo de tempo foi usado para a realização de um raio X das condições de segurança das agências. O levantamento começou a ser feito em setembro do ano passado. Ao todo, 16 itens foram avaliados e os piores desempenhos verificados foram a falta dos biombos e de câmeras de segurança nas áreas externas. Na primeira situação, apenas 26 agências das 82 verificadas tinham a barreira visual. Monitoramento por câmera em área externa foi verificado em 23 agências. A porta giratória é ferramenta mais presente nas instituições, aparecendo em 73 locais visitados.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) garante que os investimentos em segurança são altos e que são respeitadas as normas de segurança previstas pelas forças de segurança. No entanto, ela minimiza a eficácia dos biombos na prevenção de crimes como a saidinha de banco. A federação considera que as barreiras podem comprometer o trabalho dos vigilantes.

Estatísticas da Polícia Militar mostram que as barreiras podem mesmo ser eficazes. Em uma agência sem proteção, o número de ataques subiu de 122 para 146 no comparativo dos quatro primeiros meses do ano passado com igual período de 2012. Já em um banco que adotou a proteção, a queda de crime alcançou 61%, passando de 34 casos para 13.

*Fonte:Jornal Estado de Minas, 3/6/2012.